Uma das grandes desvantagens de morar sozinho é não poder colocar a culpa em alguém quando se perde algo. Se bem que...
terça-feira, 10 de junho de 2008
sexta-feira, 30 de maio de 2008
Voltei
Alumas frases são tão boas que merecem tornar-se títulos:
Os gloriosos tempos das Índias Orientais entre sordidez e vícios poliglotas
Retirado e traduzido (não por mim) de The Case of Charles Dexter Ward, de H.P. Lovecraft. Olá a todos.
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Caio
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16:55
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terça-feira, 2 de outubro de 2007
Eu acho
Engraçado gente que usa porcentagens e outros dados estatísticos inventados como argumento numa discussão. O achismo convincente parece ser a forma mais rápida de exibir brilhantismo numa conversa, por mais banal que esta seja (a exceção, é claro, existe quando a intenção é a ironia). "X pessoas entre dez..." é a expressão favorita desse pessoal.
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Caio
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17:09
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quinta-feira, 13 de setembro de 2007
Como diria...
Já que existem tantas anedotas e citações falsas por aí e ninguém faz nada a respeito, criei a minha também.
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Na década de 1930, um jornalista entrevistava Ernest Hemingway numa casa de praia em Nice e saiu com esta:
— O que você acha da última crítica do Times, que diz que seu último livro é ''um soco no estômago"?
— Quem diz esse tipo de coisa não sabe apertar a mão como homem*.
* The nigga who said such crap must shake hands like a little pussy.
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Caio
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07:32
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terça-feira, 21 de agosto de 2007
Imagem
Ao olhar a orelha de um livro ruim, surpreende-me a foto do escritor. Nariz empinado, olhar distante e ombros cheios de orgulho. Ora, um paspalho. Autores medíocres não têm o direito de posar de forma arrogante. Se sua obra é entupida de clichês, nada mais justo que um dedo no nariz na hora da foto; se, por outro lado, pretende, hum, "destrinchar a mata sombria do cerne humano", uma máscara de Sr. Batata e não se fala mais nisso.
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Caio
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18:33
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domingo, 19 de agosto de 2007
Jazz Festival
Ontem, um pouco menos de vergonha de ser brasileiro. Acústica excelente do Santa Isabel, ótimos músicos. Pelos breves minutos do show, Recife perdeu um pouco de sua jeguice, e, para minha surpresa, o público não aplaudiu durante a tap dance e riu das piadas em inglês. Claro, não faltaram toques de celular e pessoas dormindo durante as músicas mais lentas, mas tudo isso foi sobreposto quando o trumpetista gordinho simpático tocou a vinheta dos Flinstones e criou aquela empatia imprescindível entre artista e platéia. Mais, por favor, mais.
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Caio
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14:48
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sexta-feira, 10 de agosto de 2007
Criativo
Há mais anos do que uma criancinha conseguiria contar, viveu o homem mais criativo que já existiu. De fato, sua mente era tão fértil que botões de flor brotavam de seu nariz quando formulava a mais simples idéia. Quando ainda era pequeno, seus dias na escola eram uma profusão de copos-de-leite, margaridas, rosas, jasmins e orquídeas. Quanto mais pensava, mais floral tornava-se o ambiente ao seu redor. Imaginasse uma frase de efeito, papoulas lhe saíam pelas orelhas e ele não ouvia o que os professores falavam. Compusesse uma música, raízes e ervas surgiam de suas pernas e o prendiam ao chão por um bom tempo, e assim ele não podia brincar, correr e ser um moleque serelepe.
Uma vez, quando seu pai oferecia um jantar ao pessoal da firma onde trabalhava, Criativo teve, à mesa, inspiração para três farsas e duas tragédias, e isso fez com que sementes de girassol fossem ejaculadas de suas narinas, rebatessem na borda do seu prato e mudassem de direção ao encontro da testa calva do sr. Armênio, supervisor de seu pai, um homem muito sensível. Passados os dez segundos de consternação pós-sementes-de-girassol-na-testa-do-supervisor, Vovó riu pelo nariz, pois haviam-lhe dito que segurar riso dava constipação. Armênio enrubesceu e seu assistente, Petrúcio, chorou, pois também era muito sensível e amava seu patrão mais do que qualquer coisa.
Foram necessárias três cartas para que o pai do pobre menino conseguisse se desculpar com a chefia. E isso o fez proibir seu filho de pensar e, além disso, de ser inteligente. Criativo tentou, mas não conseguiu conter sua imensa capacidade mental. Quando tentou esvaziar sua cabeça, a própria idéia do nada configurou-se num tratado filosófico magnífico. E uma palmeira-imperial bem no meio da sala. E uma bronca severa de seu pai. E um suspiro de estafa de sua mãe. E uma risada pelo nariz da vovó.Tentou emprego no jornal da cidade, que se chamava Jornal da Cidade, mas foi rejeitado porque dava muito trabalho na hora da limpeza. No conservatório de música também, pelo mesmo motivo (e também porque o diretor musical deu o emprego a um primo dele, mas isso é segredo). Rejeitado pela escola de arte e pela Universidade, desistiu da carreira artística.
Triste, partiu de casa durante a noite enquanto todos dormiam, e essa foi a idéia menos original que teve em vida. Levou consigo comida, algumas roupas e todos os papéis e canetas que havia em casa. Foi para longe, para as terras desertas ao sul de seu país; logo descobriu onde achar água e alimento para viver. Durante o dia, à sombra de uma portentosa laranjeira (nasceu da novela que ele escreveu na primeira noite no deserto), Criativo liberou todo seu potencial: escreveu peças, óperas, romances, ensaios e anúncios publicitários. Compôs sonatas, sonetos, cantatas e quartetos para quatro cordas. E polcas, muitas polcas. Pintou também, e fez esculturas de areia. E o primeiro raminho verde que saiu debaixo dos grãos secos da areia amarela foi seguido por infinitas formas vegetais, e infinitas cores transformaram a antiga área seca, durantes os 70 anos da vida de Criativo, na mais esplêndida floresta de todos os tempos.
E todo esse tempo teve a duração de um ato para os anjos e santos que, do Paraíso, assistiam ao espetáculo e aplaudiam dizendo "bravo!"
Uma vez, quando seu pai oferecia um jantar ao pessoal da firma onde trabalhava, Criativo teve, à mesa, inspiração para três farsas e duas tragédias, e isso fez com que sementes de girassol fossem ejaculadas de suas narinas, rebatessem na borda do seu prato e mudassem de direção ao encontro da testa calva do sr. Armênio, supervisor de seu pai, um homem muito sensível. Passados os dez segundos de consternação pós-sementes-de-girassol-na-testa-do-supervisor, Vovó riu pelo nariz, pois haviam-lhe dito que segurar riso dava constipação. Armênio enrubesceu e seu assistente, Petrúcio, chorou, pois também era muito sensível e amava seu patrão mais do que qualquer coisa.
Foram necessárias três cartas para que o pai do pobre menino conseguisse se desculpar com a chefia. E isso o fez proibir seu filho de pensar e, além disso, de ser inteligente. Criativo tentou, mas não conseguiu conter sua imensa capacidade mental. Quando tentou esvaziar sua cabeça, a própria idéia do nada configurou-se num tratado filosófico magnífico. E uma palmeira-imperial bem no meio da sala. E uma bronca severa de seu pai. E um suspiro de estafa de sua mãe. E uma risada pelo nariz da vovó.Tentou emprego no jornal da cidade, que se chamava Jornal da Cidade, mas foi rejeitado porque dava muito trabalho na hora da limpeza. No conservatório de música também, pelo mesmo motivo (e também porque o diretor musical deu o emprego a um primo dele, mas isso é segredo). Rejeitado pela escola de arte e pela Universidade, desistiu da carreira artística.
Triste, partiu de casa durante a noite enquanto todos dormiam, e essa foi a idéia menos original que teve em vida. Levou consigo comida, algumas roupas e todos os papéis e canetas que havia em casa. Foi para longe, para as terras desertas ao sul de seu país; logo descobriu onde achar água e alimento para viver. Durante o dia, à sombra de uma portentosa laranjeira (nasceu da novela que ele escreveu na primeira noite no deserto), Criativo liberou todo seu potencial: escreveu peças, óperas, romances, ensaios e anúncios publicitários. Compôs sonatas, sonetos, cantatas e quartetos para quatro cordas. E polcas, muitas polcas. Pintou também, e fez esculturas de areia. E o primeiro raminho verde que saiu debaixo dos grãos secos da areia amarela foi seguido por infinitas formas vegetais, e infinitas cores transformaram a antiga área seca, durantes os 70 anos da vida de Criativo, na mais esplêndida floresta de todos os tempos.
E todo esse tempo teve a duração de um ato para os anjos e santos que, do Paraíso, assistiam ao espetáculo e aplaudiam dizendo "bravo!"
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Caio
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